O Empreendedorismo Feminino não é apenas uma pauta. É a afirmação de que nós, mulheres, não precisamos pedir licença para existir nos espaços onde um dia nos disseram que não cabíamos.
Eu sei o que é isso. Eu me tornei motivo de piadas por querer ser economista.
Me tornei economista e no mundo corporativo, me tornei maior que meus sonhos.
Decidi empreender e hoje digo, com toda firmeza da minha vivência: o caminho para o crescimento feminino é traçado em conjunto.
Segundo o Sebrae, 34% dos empreendedores brasileiros são mulheres, cerca de 10 milhões de brasileiras que movimentam o país.
Dia 19 de novembro, dia Mundial do Empreendedorismo Feminino foi criado em 2014 pela ONU – Organização das Nações Unidas com um objetivo muito claro: tirar mulheres do lugar de espectadoras e fazer com que elas sejam protagonistas do desenvolvimento econômico.
Para mim, não é apenas uma data simbólica, é um lembrete vivo que nós, mulheres, não nascemos para ocupar cantos apertados, nem para pedir permissão para estar no centro das decisões que impactam a economia, a política, os negócios e a vida concreta das pessoas.
Quando uma empreendedora se posiciona, ela não cria apenas um CNPJ. Ela inaugura uma nova economia.
Os dados não mentem
As mulheres estudam mais e empreendem mais. Entretanto, são as mulheres que mais empreendem por necessidade e por não ter outra opção. Tem rendimentos menores e mais dificuldades para que seus negócios prosperem. Além disso, precisam lidar com as barreiras estruturais.
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mulheres pagam juros maiores e têm menor acesso a crédito, mesmo com negócios mais organizados.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que se as mulheres participassem da economia, no mesmo patamar dos homens, o PIB mundial poderia crescer em até US$ 28 trilhões.
No mundo das startups, apenas 2% do capital de risco global vai para empreendedoras mulheres. Contudo, quando as startups lideradas por mulheres recebem investimento, elas geram mais receita por dólar investido do que startups lideradas por homens.
Educação financeira é o caminho
Eu sempre digo: a forma com que você lida com o dinheiro vai determinar o sucesso de seu negócio.
Empreender exige tomada de decisão todos os dias. Dinheiro é o principal instrumento de sustentação de um negócio.
Por isso, a educação financeira é um pilar importante para a sustentabilidade dos negócios liderados por mulheres. Cada decisão tem consequência financeira: preço, prazo, custo, margem, reinvestimento, endividamento, estoque, fluxo de caixa. Sem o mínimo de domínio dessas variáveis, o negócio nasce frágil e navega em terreno instável.
A maioria das mulheres, empreendem em um negócio que tem conhecimento e domínio técnico, mas sem base financeira suficiente para estruturar a operação.
Soma-se a isso, a cultura. No Brasil, não temos o hábito de falar abertamente sobre dinheiro. Existe um forte tabu. Em várias realidades femininas, falar de dinheiro foi algo proibido culturalmente, o que gera impacto direto nas habilidades de gestão.
Assim, se as empreendedoras não dominam conceitos de precificação, margem de contribuição e custo variável, elas começam a vender sem saber se estão lucrando ou apenas girando capital.
Segundo a Serasa Experian, 52% das microempreendedoras individuais no Brasil têm algum tipo de inadimplência ativa. Isso não acontece por falta de competência profissional, mas por ausência de planejamento financeiro estruturado.
A maior parte das mulheres não inicia o negócio com capital de giro suficiente, reserva de emergência para o negócio, precificação estratégica ou análise de ponto de equilíbrio. Muitas vezes, vendem bem, mas como erram na precificação, não conseguem lucrar ou ainda se lucram, não conseguem se organizar.
E, sem lucro consistente ou organização, não existe expansão, crescimento ou longevidade empresarial. Isso significa, na prática, que o prejuízo não é individual. É coletivo. A economia brasileira perde quando mulheres não prosperam financeiramente.
Empreender sem educação financeira é como dirigir sem painel: é possível acelerar, mas não há consciência de rota, velocidade, indicador e impacto das curvas.
É nesse ponto que políticas públicas, programas de capacitação, mentoria e iniciativas de apoio fazem diferença. Não é apenas sobre ensinar mulheres a fazer planilha, mas sobre formar pensamento estratégico, visão de futuro e tomada de decisão orientada a dados.
Empreender com educação financeira é potência multiplicada. É o caminho para transformar faturamento em rentabilidade, e rentabilidade em legado econômico e social.
Um convite estratégico
Este é um convite para todas as mulheres: para as que já empreendem e para as que ainda não empreendem, pois todas fazemos parte da economia de alguma forma.
Se você conhece uma mulher empreendedora, apoie. Divulgue o trabalho dela, recomende o negócio dela, consuma de quem está construindo valor real. Todas temos um papel nesse movimento: seja como cliente, como incentivadora, como aprendiz, ou como investidora do próprio conhecimento. Empreendedorismo feminino não é um campo isolado, ele é um ecossistema. E todo ecossistema precisa de interação.
Não se diminua e também não diminua os negócios de outras mulheres, não peça desconto e não trate o empreendimento feminino como “coisa pequena” ou como algo improvisado. Empreender já é grande por natureza! Envolve risco, estratégia e tomada de decisão diária. E quando uma mulher empreende, é ainda maior. Há desafios adicionais que não aparecem nos números: o custo emocional da economia do cuidado, a dupla ou tripla jornada, as barreiras culturais, os vieses e a exigência de sempre provar competência antes do reconhecimento.
Apoiar mulheres que empreendem é fortalecer a economia e é acelerar transformações concretas. E, isso vale tanto para quem já empreende quanto para quem está apenas observando o movimento do lado de fora.
A economia agradece quando negócios femininos prosperam, porque negócios saudáveis geram faturamento, giram capital, ampliam consumo, criam empregos e movimentam cadeias produtivas.
A sociedade se fortalece quando as mulheres crescem, porque mulheres que crescem puxam outras mulheres. E é exatamente assim que as mudanças estruturais acontecem.
Eu faço a minha parte: sigo na missão de desmistificar a economia e finanças. Defendo que a educação financeira é o que transforma sonhos em realidade prática.
Eu acredito, profundamente, que somos muitas e seremos ainda mais. E que o caminho para o crescimento feminino não é individual. Ele é traçado em conjunto.