Falar sobre dinheiro com as crianças é mais do que ensinar sobre finanças e economia, significa sobretudo, formar cidadãos conscientes, responsáveis e emocionalmente preparados para lidar com os desafios da vida adulta. Além disso, é uma possibilidade de fazer diferente e representa uma chance de construir um futuro melhor para nossos filhos.

Dinheiro é considerado um dos maiores assuntos tabus do Brasil. E, é justamente pelo habito de não falar de dinheiro que o assunto se tornou um tabu e acabou se tornando um problema na vida da maioria das pessoas. 

 

Mudança de mentalidade

Pesquisa recente divulgada pela Serasa demonstra a mudança de mentalidade da geração atual de pais. Embora 56% dos pais nunca conversaram com seus pais a respeito de finanças, sendo o percentual maior entre as mulheres (65% mulheres e 48% homens) e ainda superior quando separado por classe social, 64% das pessoas pertencentes as classes D e E nunca ouviram falar de finanças quando criança, ainda assim os pais da atualidade conversam com seus filhos sobre dinheiro.

FONTE: Serasa, 2023

 

Mesmo nunca tendo conversado sobre dinheiro na infância, 8 em cada 10 pais dizem que falam com seus filhos sobre dinheiro e que o assunto é introduzido, principalmente, quando é necessário dizer ao filho que não é possível comprar algo porque é muito caro.

A mudança de mentalidade evidenciada é positiva, pois o início de fim de um tabu é quando começamos a falar sobre o assunto. Contudo, é preciso cuidado na abordagem para que as informações passadas aos filhos não estejam carregas de crenças limitantes.

Para a construção de uma relação saudável com o dinheiro, é essencial ser assertivo, falando de forma correta que leve a criança a entender, de fato, o que é caro e o que é barato. 

Então, fale sobre dinheiro com seus filhos desde pequenos, não há uma idade certa para iniciar as conversas. Dinheiro faz parte de nosso dia a dia e por isso deve ser abordado de forma natural que transmita as crianças leveza, segurança e tranquilidade. 

 

O comportamento é exemplo

Desde 2020 o Ministério da Educação (MEC) determina que educação financeira faça parte do currículo escolar. Na prática, o percentual de escolas que oferecem a disciplina é baixo e é quase uma exclusividade das escolas particulares.

Mas mesmo que a resolução fosse cumprida seria necessário a compreensão dos papéis de escola e família. 

À escola, cabe a tarefa de estruturar o conhecimento de maneira ordenada. Oferecendo o chamado letramento financeiro

Já, é na família, dentro de casa que a criança será exposta a prática, visto que educação financeira não é somente sobre números, e sim sobre comportamentos e escolhas. Neste caso, é a observação dos hábitos financeiros dos pais que tende a ter um peso maior sobre os filhos.

Hábitos comuns como a forma de usar os recursos como água, energia elétrica, não desperdiçar comida, fazer lista de supermercado, pesquisar preços e hábitos de consumo e investimento vão influenciar na construção da visão da criança sobre dinheiro e a relação que futuramente ela terá com suas finanças. 

 

Falando sobre dinheiro com as crianças

Não há um momento exato e nem receita pronta para falar de dinheiro com as crianças. A atenção que deve ser tomada é ter cuidado na forma de abordagem para que não sejam transmitidas as crianças as mesmas crenças que lhe foram passadas

 

  1. Dinheiro é meio e não fim – Faça diferente e transmita a seus filhos a ideia de que dinheiro é um meio e não um fim e que faz parte de nossa vida, independentemente de classe social. Dê a eles a visão de objetivos de curto, médio e longo prazos. Obviamente, use exemplos que levem em consideração a maturidade deles;

 

  1. Dinheiro não é apenas número – não basta apenas dizer que está caro ou barato. É necessário considerar a realidade social em que se vive, pois o que é caro para uns é barato para outros. Além disso, as crianças tendem a pensar apenas quantitativamente sem ter a noção da diferença entre quantidade, preço e valor. É preciso explicar as crianças como um tênis de R$ 100,00 pode ser considerado barato e um pacote de balas por R$ 100,00 pode ser caro. Pois para uma criança de 6 ou 7 anos se no pacote vem 50 balas e o tênis é somente um par, a lógica seria que o pacote de bala seja barato e o tênis caro! 

 

  1. Mostre as diferentes formas de dinheiro – em um mundo em que não é preciso ter dinheiro físico para consumir, é essencial que desde muito cedo você mostre as crianças que o dinheiro tem várias formas. Assim, como o papel (cédula) e a moeda são dinheiro; o cartão de crédito de plástico, o cartão virtual e o Pix também são dinheiro;

 

  1. Use a mesada a seu favor  – a mesada ou semanada deve ser utilizada e incentivada como uma ferramenta de aprendizagem e educação. Para definir formato e valor, deve ser levado em consideração a maturidade da criança. Ela vai errar muitas vezes. Vai gastar toda a mesada e depois chorar porque queria comprar outra coisa. É essencial que você não ceda e assim, demonstre a importância de ter objetivos e poupança por exemplo;

 

  1. Deixe um legado – encare que falar sobre dinheiro com seu filho é ter chance, a  oportunidade de fazer diferente e que ao abordar o tema, é uma forma de estar construindo o futuro dele, pensando e zelando por seu filho. Pois, por vezes não percebemos que a criança de hoje será o adulto de amanhã e a relação com o dinheiro que você passará a ele será determinante para o sucesso que ele terá na vida.

 

Por fim, é importante demais passar a nossos pequenos a ideia de que “o dinheiro serve para nos servir e nunca o contrário”!

 

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