Julho conhecido como o mês das Pretas. É na verdade, um período de reflexão, visibilidade e luta por justiça racial e de gênero.
No dia 25, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, instituído pela ONU em 1992. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, uma das maiores líderes negras da nossa história, símbolo de coragem, estratégia e resistência.
Mas, mesmo séculos após Tereza, as mulheres negras seguem enfrentando as maiores barreiras sociais e econômicas do país. E é sobre isso que precisamos falar com consciência, sensibilidade e ação.
As mulheres negras sempre trabalharam
Enquanto algumas mulheres lutavam pelo direito de trabalhar fora de casa, as mulheres negras já estavam trabalhando há séculos, seja nos campos, nas casas grandes, nos serviços domésticos ou nas ruas e nas feiras, sustentando lares e alimentando o país.
Mesmo assim, continuam invisíveis nos espaços de poder. Segundo o IBGE, mulheres negras representam 29% da população brasileira, mas:
- recebem, em média, 48% menos que homens brancos;
- ocupam majoritariamente cargos de base e subempregos;
- são maioria entre as empreendedoras por necessidade;
- 41,1% delas são chefes de família.
Esses dados revelam o que muitas de nós já sentimos na pele: a intersecção entre racismo e sexismo ainda define quem pode sonhar e quem precisa sobreviver.
Liberdade financeira é um caminho possível
A desigualdade social é uma ferida crônica no Brasil. Mas não é imutável.
Educação financeira, acesso ao crédito justo e oportunidades reais de geração de renda são ferramentas de transformação, principalmente para mulheres negras, que historicamente sustentam muitas vidas além da sua.
Liberdade financeira é, sobretudo autonomia, dignidade e escolhas reais. Quando uma mulher conquista sua independência financeira, toda uma comunidade se fortalece.
Por isso, trago neste artigo dicas de autonomia financeira. Afinal, ninguém é verdadeiramente livre quando dependo do dinheiro de outra pessoa.
Dicas financeiras para fortalecer sua autonomia
Você não precisa saber tudo sobre dinheiro para começar. Mas precisa começar para aprender. Aqui vão cinco dicas práticas de educação financeira.
- Anote tudo
Registre entradas e saídas. Isso dá clareza e poder de decisão.
Use o método de sua preferência. Planilhas simples, um caderno ou aplicativos gratuitos.
- Separe finanças pessoais e profissionais
Se você empreende, não misture o dinheiro da casa com o do negócio. Isso permite saber se o seu empreendimento é sustentável.
Dica: Defina um pró-labore e registre tudo com transparência.
- Crie uma reserva de emergência
Mesmo com R$ 50 por mês, adquira este hábito que vai fazer a diferença em sua vida. Um fundo reserva te protege de imprevistos e evita dívidas.
Dica: Para iniciar tenha como objetivo acumular um valor que cubra 3 meses de despesas básicas.
- Cuidado com crédito fácil
Cartão, crediário e empréstimos podem parecer solução, mas escondem juros altos. É preciso utilizá-los com consciência.
Dica: Leia os contratos, pesquise taxas e, se necessário, busque orientação (há plataformas que gratuitas que oferecem).
- Invista em você
Conhecimento é seu maior patrimônio. E é uma fonte inesgotável. Há cursos online gratuitos disponíveis em diversas plataformas e em instituições renomadas.
Pequenas ações geram grandes transformações
Margaret Mead já dizia:
“Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo.”
E ela estava certa. São as pequenas ações que constroem grandes mudanças.
Empresas e instituições que investem em diversidade e inclusão têm colhido resultados não só sociais, mas também econômicos. Estudos da McKinsey & Company mostram que organizações com maior diversidade racial e de gênero têm 35% mais chance de superar a média de lucratividade do setor.
Programas de mentoria, aceleração de carreira, acesso a formação e crédito para mulheres negras não são só políticas afirmativas, representam motores de inovação e progresso econômico.
O meu legado é lutar por liberdade
Sou mulher, negra, economista e conselheira. E, como Tereza de Benguela, acredito que nosso legado se constrói com coragem, afeto e estratégia.
Meu compromisso é desmistificar a economia, ampliar o acesso à educação financeira e fomentar o empreendedorismo feminino.
Porque educar é libertar.
E quando mulheres negras tomam as rédeas da sua vida financeira, reescrevem sua história e a do mundo à sua volta.
UBUNTU.
Eu sou porque nós somos.
E juntas, somos força, somos futuro, somos revolução.
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